Vou cuspir essa dor do meu coração
Gaguejar a tristeza e mandá-la embora
Pisá-la com um salto, mesmo que doa o pé
Vou cuspir essa raiva
Atirá-la num fosso
Enforcá-la no poço
E atirar uma pedra
Desatarei os nós de minhas entranhas
E suarei pelas cotículas das unhas
As lágrimas guardadas
vomitarei o medo
O frio, o vazio, a inveja,
Rasgarei minhas vestes
E encostarei a face no chão, ajoelhada
E quando levantar o peito
Depois de devolver o que é do mundo ao mundo
Caminharei como quem nasce
Descalço, desnudo
Debaixo de um céu azul
Encharcado de vida
E de coração aberto.
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